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Meu vizinho perdeu o bolão da copa. Você vai perder sua safra?

A equipe também esta na pauta da métrica

Foco na Solução

A hora da verdade: Os 07 indicadores que “escancaram” os resultados da fazenda

Controle: Uma importante etapa da gestão

Meu vizinho perdeu o bolão da copa. Você vai perder sua safra?

Neste mês, apesar da seleção brasileira não ter avançado para as finais da copa do mundo, voltamos a nos apaixonar pelo futebol. As crianças brincaram mais de bola e as ruas ficaram mais amarelas. Nas rodas de conversa, o tema também veio à tona. E, imagine meu vizinho que para falar sobre a seleção, sempre avalia o segundo tempo de uma partida e o primeiro tempo de outra para fazer seu comentário. Parece estranho, não é? Afinal, os jogadores são diferentes, o clima é outro, o campo muda e até o uniforme pode ter outra cor, mesmo assim, ele defende que esse é o método correto. E, segue assim, jogo a jogo. Infelizmente, como resultado, ele anda perdendo os "bolões" feitos entre a vizinhança.

Da mesma forma, ano a ano, muitos também avaliam seus controles produtivos seguindo a filosofia do meu vizinho, pois reúnem informações de duas partidas diferentes para fazer sua avaliação das questões produtivas da fazenda. Esses pecuaristas não percebem que estão colocando na mesma análise informações completamente diversas do rebanho, principalmente, relativas à nutrição, sanidade e reprodução.

 

Isso acontece quando são analisados os dados da fazenda de janeiro a dezembro, seguindo nosso habitual calendário Juliano. Essa lógica, apenas é interessante para os controles fiscais que devem seguir a legislação. Os produtivos e financeiros devem ser feitos de outra forma. Eles devem seguir o conceito de safra, considerando as informações de 1o. de julho do ano corrente até 30 de junho do ano seguinte.

 

A recomendação da safra para essa data está baseada principalmente no acompanhamento das questões naturais, cujo mais importante é a produção de capim e o ciclo reprodutivo das matrizes. Como qualquer fazenda que avança, minimamente em gestão, há uma estação de monta implantada e, como consequência, há uma estação de nascimentos e outra de desmama pré-definidas. No Brasil, normalmente, a estação de reprodução é de novembro a janeiro; os nascimentos concentram-se de setembro a novembro e a desmama de março a agosto.

 

Portanto, com o conceito de safra, de julho a junho, reúnem-se as informações de todos os bezerros que nasceram no mesmo grupo contemporâneo. Eles passaram pelos mesmos protocolos de reprodução; sofreram a mesma pressão climática particular de cada ano e também o mesmo regime de pasto ou suplementação.  Além disso, quase toda desmama estará fechada dentro do mesmo ano do exercício, ou seja, a safra.

 

Quando se analisam os dados de janeiro a dezembro, acaba-se reunindo animais que receberam tratamentos diferentes de nutrição, principalmente, pois o verão de janeiro é uma safra diferente do verão de dezembro do mesmo ano, ou seja, o pasto é outro. Os protocolos de reprodução usados, também podem ter mudado com o investimento em um novo fármaco. Além disso, cada vez mais, as fazendas dedicam-se à integração lavoura e pecuária que também depende do mesmo calendário de julho a junho, por respeitar a produção natural de grãos. Da mesma fora, ocorre com a safra do capim, que ocorre, na maioria das vezes de outubro a março!

O que diz a prática?

 

Com certeza, ao acompanhar os primeiros passos de muitas fazendas, sabemos que não é fácil nos desapegarmos de velhos paradigmas. É difícil, no começo, pensar no ano de julho a junho, mas é necessário. Somente assim será possível reunir informação de qualidade para nortear as decisões futuras. Aderir ao conceito de safra permite um importante avanço nos controles zootécnicos e financeiros.

 

Veja um índice bem comum entre os gestores de pecuária que é o controle da mortalidade. Ele é resultante da diferença entre os bezerros que desmamaram e os que nasceram. Sem o conceito de safra, não é possível chegar ao número exato da taxa de mortalidade, afinal se a estação de monta passar de 90 dias teremos dois tipos de bezerros, os recém-nascidos e os prestes à desmamar, são dois grupos completamente diferentes. Há muitas fazendas que não conseguem "fazer bater" as contas, pois será preciso resgatar velhas planilhas, juntar dados... Uma confusão desnecessária!

 

Outros não consideram os mesmos animais, o que é um erro pior, pois a informação não irá retratar o acontecido.

 

Quem já trabalha com os controles organizados pelo calendário de julho a junho, agora deve fechar sua análise anual e definir as metas para a próxima safra. Quanto deve crescer no peso de sua desmama? Quais estratégias serão usadas? Quanto irá reduzir em seu desembolso? Qual será a meta das @/ha/ano?

 

Precisa de referências? O último benchmarking Inttegra diz que as fazendas de cria devem atingir as 7 @/ha/ano para serem lucrativas, na recria e engorda a marca deve ser de 10 @/ha/ano e 13 @/ha/ano, respectivamente.  O desembolso da arroba produzida sobre o valor de venda não pode superar os 70% e por aí vão os demais índices zootécnicos, financeiros e de pessoas.

Portanto, agora em julho, começamos a reunir os dados da safra 2018/2019. Agora é a hora! Mude! Trabalhe em cima das informações dos dois tempos da mesma partida. Tenho certeza que os resultados serão bem melhores. Quanto ao meu vizinho... Tomara que ele aprenda!

Autor: Antonio Chaker, coordenador do Inttegra.
Fonte: https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/cartas/48801/carta-gestor---meu-vizinho-perdeu-o-bolao-da-copa.-voce-vai-perder-sua-safra?.htm

A equipe também esta na pauta da métrica

A pecuária deixou de ser um jogo de tabuleiro para ser um jogo de xadrez. As variáveis devem ser profundamente estudadas com os movimentos antecipados. O lucro vem do resultado da métrica e tudo o que ela pode trazer de atitude para o negócio. Isso sim engorda o boi! Mas quando se fala em pessoas, parece que os líderes se intimidam frente à subjetividade e complexidade do ser humano e não aplicam a métrica para avaliar a equipe.

 

Para a maioria dos produtores está cada vez mais fácil entender as métricas produtivas e financeiras como arrobas por hectare ano; ganho médio diário, taxa de retorno, entre outros. Esses dados traduzem em números a realidade da pecuária na fazenda, mas como traduzir a equipe em números?

 

Tenho a certeza de que é possível valer-se de índices quantitativos e qualitativos que irão retirar a subjetividade das avaliações e nos dar importantes parâmetros sobre a realidade da equipe na fazenda. É claro que as informações serão indicadoras para que outras investigações sejam feitas, mas isso é o que também ocorre com os índices zootécnicos e financeiros. Se descubro que o ganho de peso foi abaixo do esperado, vou buscar informação sobre problemas na oferta de folha, na dieta, tipo animal etc. Para a equipe é a mesma coisa: se identifico que há muita rotatividade de pessoas em determinado setor, vou buscar investigar quais problemas precisam ser resolvidos. Portanto, há como tirar parâmetros valiosos da equipe a partir da métrica. Eles serão referência para a tomada de decisão acertada. Vamos a alguns dos principais indicadores de equipe:

 

- Relação entre a equipe de campo e o total de funcionários.

 

Esse indicador permite entender qual é o percentual do time que está diretamente ligado ao trabalho com os animais. Os demais são pessoas alocadas no administrativo ou assessores técnicos que formam o grupo do “pessoal do escritório”. O ideal é que o índice seja maior do que 50%, ou seja, que mais da metade da mão de obra esteja, realmente, envolvida com a operação em campo. Se essa não for a realidade, com certeza, há um inchamento dos custos fixos e é preciso repensar as funções. Além disso, é um sinal claro de que há muita gente para mandar e pouca para fazer. Fique atento! Nesse quesito, o potencial técnico identificado pelo Instituto Inttegra de métricas pecuárias é de 64%.

 

- Relação de cabeças por homem de campo

 

Nesse índice divide-se o número médio de cabeças no ano em exercício pelo número de profissionais que atuam na lida. Os profissionais do escritório são excluídos dessa conta, pois o interesse está em entender a eficiência da mão de obra de campo. O fato é que se eu tenho menos gente, posso remunerar melhor e buscar pessoas mais qualificadas para o perfil de trabalho. O indicador também deve vir acompanhado dos questionamentos: O serviço está em dia? A equipe está sobrecarregada? Há como otimizar manejos e tarefas?

 

Por fim, a relação é validada pela análise junto aos índices zootécnicos. Se eles estiverem dentro do esperado, a relação entre cabeças e homens de campo está correta. Em média, os números gerais nos mostram que uma boa relação está em 559 cabeças por funcionário de campo, na cria e recria/engorda.  O potencial analisado pela Inttegra é de 990 cabeças para cada funcionário de campo.

 

- Gasto de reais por cabeça ao mês por funcionário

 

Essa informação também será uma referência para avaliar o resultado da operação, porém, pelo viés financeiro. Ela traz a eficiência do uso de dinheiro em equipe, pois mede se o custo foi bem diluído. Na conta é somada toda a equipe, incluindo as pessoas do campo e escritório. Em média as fazendas gastam R$10,21 por cabeça ao mês por funcionário, mas há quem consiga gastar R$6,70, ou seja, eles têm um time mais otimizado e enxuto. A mesma conta pode ser feita com o faturamento, se o produtor achar interessante.

 

- Rotatividade

 

É muito importante preocupar-se com a rotatividade de funcionários, principalmente de campo. Além das questões de capacitação, integração da equipe, proximidade com o líder, há algo particular do campo que é o conhecimento do cenário em que se vive, ou seja, as questões naturais. Essa percepção é muito importante e somente pode ser conquistada com o tempo de permanência. Se alguém do chão de fábrica precisa apenas entender o processo de trabalho, na fazenda, ele precisa entender o processo como também conhecer o solo, clima, área, crescimento do capim e os animais. Por mais que tenhamos planilhas de precipitação e mapas da área de pasto, a observação é uma contribuição direta para as decisões semanais de ajustes no planejamento. Lembrando que quanto mais elevado o nível hierárquico, a perda é maior ainda. Para calcular a rotatividade deve-se somar o total de entradas e saídas de pessoas e dividir pelo total de pessoas no começo do exercício (ano). Além da rotatividade geral, é importante calculá-la por função.  Índices de rotatividade muito altos também acendem um alerta para a avaliação da liderança imediata.

 

- Tempo médio de contratação

 

É um índice complementar as análises da rotatividade. Ele mede quanto tempo, em média, as pessoas ficam empregadas no projeto. O ideal é que o tempo médio seja superior a quatro anos, principalmente nos cargos de gerência.

 

- Salário em relação à região

 

É uma informação de referência, para que a fazenda se posicione em potencial competitivo de contratação. Ele permite uma comparação de valor com a região sobre o que está sendo praticado. Vale lembrar que o salário é um fator que atrai pessoas, mas não exerce a capacidade de mantê-las. Mesmo com um salário alto, após dois anos, se o ambiente não for favorável a pessoa irá buscar alternativa fora da fazenda.

 

- Indicadores qualitativos

 

Há outro grupo de índices que chamamos de qualitativos. Eles não trazem um número específico para referência, mas norteiam pela classificação em “bom, médio ou ruim” com critérios bem definidos para que não haja subjetividade da avaliação.

 

Como a fazenda compreende uma “micro sociedade”, os indicadores qualitativos avaliam elementos que interferem no trabalho do funcionário, como também fatores indiretos que influenciam em sua decisão de fazer parte do projeto. Indicadores qualitativos podem ser:

 

- Qualidade da moradia

 

- Grau de parentesco (nunca deve superior a 30%)

 

- Acesso à escola para os filhos de todas as idades

 

- Clareza do organograma

 

- Programa de remuneração variável

 

A lista pode ser maior de acordo com cada projeto, porém, em comum é importante que as regras de classificação estejam muito claras para cada item. Assim, não haverá diferenças entre avaliadores.

 

Ressaltamos aqui que essas recomendações são principalmente para a equipe em geral e não buscam fazer análises psicológicas. Os testes psicológicos podem ser implementados com auxílio de profissional da área. Há uma diversidade de linhas de estudo e de testes que podem ser implementados, principalmente para a avaliação do líder. De qualquer forma, essa seria uma segunda e mais refinada etapa da avaliação da equipe. Se você, a partir de hoje, já tiver em mãos os índices sugeridos, já terá muitas informações para avaliar sua turma e investir nela!

 

Fonte: https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/cartas/48434/carta-gestor---a-equipe-tambem-esta-na-pauta-da-metrica.htm

Foco na Solução

É indiscutível que a paixão é essencial para o sucesso de qualquer negócio. Ela é o alimento para nossa dedicação, superação dos desafios, para o trabalho árduo e, sobretudo, para fazermos nosso melhor. Este melhor, cada vez mais necessário em todos os negócios de sucesso.

O grande tema é quando a paixão cega a razão e desvia nosso foco do que realmente importa. Muitas vezes acabamos nos dedicando muito ao problema e pouco à solução. 

Quando falamos em pecuária de corte como negócio, o foco é: RESULTADO GERENCIAL POR HECTARE, ou seja, lucro obtido em um ano em cada hectare de pastagem. Estamos convencidos que podemos ter uma pecuária de corte, lucrativa nas diferentes fases do sistema produtivo. Apenas com cria, e esta por sinal está em alta, apenas com a recria/engorda, mesmo com elevados valores de reposição, em sistemas super intensivos em sistemas menos intensificados e assim por diante. A única grande convergência onde não há alternativa é que temos que ser extraordinários em produzir e colher pastagem.  Nunca podemos deixar de lembrar que pecuária de corte é a transformação de capim (e seus ajudantes) em carne. 

Retomando o ponto principal: "foco na solução", podemos simplificar que o  LUCRO POR HECTARE POR ANO conseqüência da interação de 4 fatores principais, onde seu produto, representa de forma direta o lucro de uma fazenda. Estes fatores são: Lotação x Ganho Médio Diário X Margem sobre a venda X Valor da @.

LOTAÇÃO: A lotação representa a carga animal mantida em uma unidade de área, podendo ser expressa em cabeças, unidades animal, ou peso vivo. Apesar da fragilidade deste indicador, que não leva em consideração a variação na disponibilidade de forragem existente, ele é largamente utilizado. Para utilização deste indicador, existe o pré-requisito que a lotação está equilibrada com a pressão de pastejo, que expressa quilos de forragem estão disponíveis para cada 100kg de peso vivo mantidos por unidade de área. 

O que se busca diretamente é que a fazenda possa apascentar a máxima quantidade de animais possíveis, desde que esteja ganhando peso, que é o nosso próximo indicador.

GMD: O ganho médio diário é a quantidade de kg que um animal ganha por dia.

MSV: A margem sobre a venda é o percentual de resultado, ou lucro, que a fazenda obtém em cada @ vendida. Neste caso se a MSV foi de 35%, significa que a fazenda teve 65% de desembolso sobre o faturamento obtido com uma @.  

VALOR DA @: O valor da @ é o total de reais recebido por uma @ na hora da venda.

Desta forma o lucro de uma fazenda, em sua maioria é: 

LOTAÇÃO (cab./ha) x GMD (kg/cab/dia) x 365 dias X MSV (%) x Rendimento de Carcaça (%) x VALOR DA @.

Devemos nos atentar que o agil ou deságil pagos na reposição interferem neste resultado.

De forma geral, toda decisão que tiver interferência nestes fatores deve acontecer de forma que o aumento de um não gere redução de outro numa proporção superior. Ou seja o aumento da lotação só é valido quando não cause redução no GMD. Medidas que aumentem o GMD não pode gerar um redução na MSV superior ao aumento no ganho obido.

Quando o processo produtivo é focado em interações positivas destes quatro fatores, a fazenda tem grandes chances de apresentar resultados que superem a tímida média de R$ 103/ha/ano, podendo chegar em valores maiores que R$ 450/ha/ano. 

A hora da verdade: Os 07 indicadores que “escancaram” os resultados da fazenda

Convivemos diariamente com as seguintes questões:  "estou indo bem? ou indo mal?, ou melhor,  aonde minha fazenda vai bem e aonde ela vai mal"? Quando apresentamos o grande volume de informações que devem ser monitoradas em uma fazenda para que a resposta seja a mais completa possível, vêm a réplica:  "mas....o que realmente importa"? Pensado numa resposta objetiva, didática  e sobretudo aplicável, elaboramos os sete indicadores que mostram de forma mais ampla e conclusiva o desempenho da empresa pecuária.

 1 - LOTAÇÃO e GANHO MÉDIO DIÁRIO: A lotação mede a carga animal que a fazenda manteve por unidade de área (ha ou Alq.) durante o ano. Deve ser avaliada em Cabeças e  UA's (450 kg de PV).  Sabemos projetos com lotação média inferior a 1,2 UA/ha/ano apresentam média/baixa ou baixa capacidade de geração de lucro. Por outro lado, de nada vale termos lotação se o ganho individual dos animais foi baixo. Como o propósito da exploração pecuária é a produção de peso vivo e consequentemente a carne, seja na cria ou na engorda, o foco no ganho diário é determinante. Entendemos que o ganho global dos animais deva superar 0,4kg/cab/dia. 

2 - TAXA DE DESMAME: É o mais importante indicador da cria. Representa o total de animais desmamados em relação às vacas expostas em reprodução dentro de determinado período. A taxa de desmame é um poderoso indicador do desempenho reprodutivo devido contemplar os índices de fertilidade, perda pré-parto e a mortalidade de bezerro. O valor mínimo para taxa de desmame ser considera média/boa é de a75%. Lembramos que o peso dos bezerros ao desmame complementa a análise

3 - TAXA DE DESFRUTE: A taxa de desfrute mede a capacidade que o rebanho teve para gerar excedente, ou seja, representa a produção (em @, kg, ou cabeças) que teve em um ano em relação ao rebanho inicial. Quanto maior a taxa de desfrute, maior a produção interna do rebanho. Em sistemas de recria/engorda o desfrute deve superar 50%, no ciclo completo 40%. 

4 - REFERENCIAMENTO DA EQUIPE: A resposta para a pergunta: Minha equipe é grande ou pequena, devo contratar ou demitir? Antes de responder, sempre perguntamos, se o serviço está em dia? Evidente que além desta resposta, outros indicadores auxiliam na análise. Dentre estes destacamos as relações cabeça/funcionário e funcionário hectare. Por outro lado, podemos dizer que os dois índices mais conclusivos são o percentual que a folha representa sobre o faturamento e o faturamento por funcionário/ano. Salário em relação a região, motivação e comprometimento devem completar a análise.

5 - PRODUÇÃO DE ARROBA/HA/ANO:  Mede a produção em kg de carcaça convertido em @ (15 kg de peso morto) por hectare de pasto. Tem íntima relação com o faturamento da empresa. É o indicador produtivo que mais merece atenção por sofrer influência da lotação do ganho diário, das taxas reprodutivas e mortalidade. A média brasileira não chega a 3@. Acreditamos que o alvo das empresas agropecuárias deva superar 10@/ha/ano.

6 - DESEMBOLSO POR CABEÇA POR MÊS: Produzir muito, gastando ainda mais não pode ser a combinação. Diante disto o monitoramento sistemático dos valores de desembolso por cabeça por mês deve ser efetuado. Este valor mede o total de dinheiro gasto na fazenda em relação ao rebanho médio. Sempre avaliados mês a mês com acúmulos trimestrais e anual. Lembramos que os valores de investimento na compra de gado não devem compor a soma das despesas, apenas os custeios somados aos investimentos produtivos. O desembolso/cabeça/mês deve ser inferior a R$ 40,00/cabeça/mês. Destes R$ 40,00 a maior parte deve ser investimentos e manutenção de pastagem, seguidos pelos insumos do rebanho e mão de obra. Não podemos deixar de destacar que quanto menor os índices do rebanho, menor poderá ser o desembolso. 

7 - LUCRO POR HECTARE POR ANO: É o mais importante de todos, afinal é o que sempre perseguimos. Infelizmente a definição que Lucro é uma fantasia contábil e que a matemática é mágica, faz com que muitos nem tentem calcular ou desistam na primeira dificuldade. De posse disto e focando na solução, a Terra Desenvolvimento, através de uma ampla conferência entre técnicos da produção, contabilidade e clientes elaborou o método chamado BPC (balanço produtivo de caixa). Este balanço mostra a capacidade que a fazenda teve para gerar recursos "extraíveis", ou seja, resultado de caixa que chamamos, neste momento, de lucro operacional.  

Fórmulas:
- Lotação  (UA's/Ha)= Rebanho Médio (UA) ÷ Área de Pastagem (ha)
- GMD (kg/cab/dia) = [peso final (kg) - peso inicial (kg)] ÷ período entre pesagens (dias)
- Referenciamento de Equipe: 
a) Folha sobre o faturamento: Valor folha de pagto (R$) ÷ Faturamento (R$) x 100
b) Faturamento por funcionário por ano: Total de Receita ÷ total de funcionários
- Taxa de desfrute Safra 2010/2011 = 
[Peso total do rebanho (@) em junho 2011  - Peso total do rebanho  (@) em julho 2010 - Peso total comprado (@) no período jul/10 a jun/11  + Peso total vendido (@) no período jul/10 a jun/11] ÷ Peso total do rebanho em julho 2010 (@) x 100
- Produção de @/ha/ano = 
[Peso total do rebanho (@) em junho 2011  - Peso total do rebanho  (@) em julho 2010 - Peso total comprado (@) no período jul/10 a jun/11  + Peso total vendido (@) no período jul/10 a jun/11] ÷  área de pastagem (ha)
- Desembolso/cabeça/mês = Total de desembolso/mês em R$ ÷ rebanho médio do mês (cabeças)
- Lucro/ha/ano = [Total Geral de receitas (R$)  - Total geral despesas (R$) + Variação do rebanho* (R$)] ÷ área de pasto (ha)
*aumento ou diminuição do rebanho 

Controle: Uma importante etapa da gestão

Gerenciamos apenas o que conhecemos, por isso as mensurações na fazenda caracterizam uma importante etapa na atividade pecuária moderna e lucrativa. 

Como já dizia o físico escocês Lord Kelvin no final do século XIX: "Quando você consegue medir sobre o que está falando e expressá-lo em números, você saberá mais sobre seu tema. Por outro lado, quando não consegue medir nem transformar em números seu conhecimento será pequeno e insatisfatório".

Antes de se iniciar o controle devemos argumentar: QUANDO E PARA QUÊ estamos fazendo isso? Esta indagação tem o propósito de nortear a verdadeira necessidade do que está sendo controlado. É muito comum nos depararmos com "muito papel" e pouca informação ou mesmo com muitas informações, porém dispostas de uma maneira confusa ou inacessível. 

Existem diversas técnicas de controle que podem auxiliar na obtenção desses dados. É importante saber em qual nível de detalhamento e sofisticação o empreendimento se encaixa.

Lembramos também que o sucesso do controle não é apenas a escolha de um bom software, e sim uma equipe de campo bem treinada para registrar as ocorrências. 

É muito grande o volume de informações que podem ser gerenciados numa atividade de corte. Sugerimos a fragmentação nas seguintes frentes:

1. Informações Reprodutivas. Controla-se a fertilidade, a perda pré parto, a taxa de desmame, a relação e peso desmame e o intervalo entre partos.

2. Informações Produtivas. Neste momento são mensuradas a mortalidade, taxa de lotação, consumo de minerais e suplementos, ganho de peso, produção de @ por hectare, altura média das pastagens e intervalo entre cortes, dentre outros.

3. Informações Climáticas. Chuva, temperatura e umidade do ar, são as principais.

4. Informações Financeiras. A avaliação dos custos e resultados compõe as etapas desta fase.

  • Custos: cabeça e UA/mês, @ produzida, bezerro desmamado, dentre outros.
  • Resultados: Margem sobre a venda, resultado gerencial (lucro) por hectare e por cabeça comercializada, rentabilidade sobre capital de trabalho e capital total, dentre outros.
  • Demais indicadores: Relação custeio x investimento, custo fixo x custo variável, perfil ABC nos desembolsos, dentre outros.

5. Informações de equipe: Salário em relação a região, tempo médio de contratação, rotatividade, qualidade de vida e moradia, motivação, número hectares e cabeças por funcionário, dentre outros.

Ao separar os dados nesses tópicos, torna-se muito mais fácil a definição dos objetivos e a determinação dos controles necessários ao gerenciamento da fazenda. Entretanto, dados aleatórios não podem ser considerados informações úteis para as tomadas de decisão, é necessário organizá-los. Para tanto propomos as etapas passo a passo.

a) Definição do que será medido. A partir deste momento define-se como, quando e por quem será feito. Inicia-se o processo de treinamento periódico.

b)
 Fechamento mensal. Todas as informações devem ser avaliadas no período máximo de um mês. Desta forma, caso ocorram dúvidas, as mesmas são mais simples de serem esclarecidas. 

c) Transformar o dado em ação. Apenas existe sentido no controle quando os dados são transformados em informações, estas por sua vez em conclusões e por fim em ações que possam melhorar o desempenho da atividade.Caso este ciclo não se conclua, todo resto será perdido.

Entendemos que o estabelecimento de um amplo programa de controle deve ser instituído para acompanhar o planejamento estabelecido, verificar os resultados da fazenda em relação a média obtida no setor e, sobretudo, inserir a fazenda num sólido processo de gestão. 

A operacionalização das atividades sugeridas é mais complexa que sua apresentação num artigo. Por outro lado, sabemos que, através do trabalho, a distância entre aquilo que acontece hoje e aquilo que objetivamos, seja apenas determinada por um breve período de tempo. Mas ainda é fundamental seguir a premissa de que, como diria Kelvin, controlamos e gerenciamos apenas aquilo que conhecemos.