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6ª Edição do Encontro de Gestores – O Sucesso Deixa Rastros

Foco na Solução

A hora da verdade: Os 07 indicadores que “escancaram” os resultados da fazenda

Controle: Uma importante etapa da gestão

6ª Edição do Encontro de Gestores – O Sucesso Deixa Rastros

Com objetivo de apresentar soluções reais e casos de sucesso no agronegócio com foco na gestão, acontece no dia 5 de dezembro, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande (MS), a 6ª edição do Encontro de Gestores - O Sucesso Deixa Rastros.

Promovido pelo Instituto Terra de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e Terra Desenvolvimento Agropecuário, o evento é destinado a produtores, gerentes de fazendas, profissionais de ciências agrárias, professores, pesquisadores, estudantes e representantes de empresas e agropecuárias que vêm de vários estados brasileiros e outros países.

Segundo Antônio Chaker, gestor da Inttegra, “o evento vem para trazer luz para os participantes no que fazer e como fazer. Não será um evento com provocações filosóficas, mas sim que leve a mudança, à transformação, à uma reflexão do próximo passo. Nós vamos falar os caminhos das pedras. Essa é a grande questão do evento”.

O evento proporcionará aos participantes uma experiência única e transformadora em gestão agropecuária, possibilitando por meio de referências sólidas, casos de sucesso e práticas das melhores fazendas, ampliarem seus conhecimentos, para que possam maximizar o lucro e a satisfação em seus negócios.

A programação conta com a apresentação do Benchmarking e cases de sucesso da safra 2016/2017, com informações coletadas em 285 fazendas em 15 estados brasileiros, além de Bolívia e Paraguai. Essas fazendas juntas totalizam um rebanho bovino monitorado de mais de 1.082.000 cabeças e mais de 22 mil hectares de agricultura e entrevistas com mais de 3.000 colaboradores.

 

Indispensável para quem busca a troca de informações e experiências, o evento foca na administração de recursos. “Vamos mostrar o poder da análise de informações concisas e bem compiladas, em como esse entendimento do negócio como um negócio realmente é relevante para a cadeia, porque essencialmente, tudo começa pela gestão dos recursos e depois na definição das técnicas que se deve aplicar”, explica Rodrigo Patussi da Terra Desenvolvimento.

Serviço:

 

6º Encontro de Gestores - O Sucesso Deixa Rastros
Dia: 05/12/2017
Local: Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo
Inscrições: www.melhoresdapecuaria.com.br
Mais informações: (67) 99801-1532 (Whatsapp) ou contato@gestagromarketing.com.br

Foco na Solução

É indiscutível que a paixão é essencial para o sucesso de qualquer negócio. Ela é o alimento para nossa dedicação, superação dos desafios, para o trabalho árduo e, sobretudo, para fazermos nosso melhor. Este melhor, cada vez mais necessário em todos os negócios de sucesso.

O grande tema é quando a paixão cega a razão e desvia nosso foco do que realmente importa. Muitas vezes acabamos nos dedicando muito ao problema e pouco à solução. 

Quando falamos em pecuária de corte como negócio, o foco é: RESULTADO GERENCIAL POR HECTARE, ou seja, lucro obtido em um ano em cada hectare de pastagem. Estamos convencidos que podemos ter uma pecuária de corte, lucrativa nas diferentes fases do sistema produtivo. Apenas com cria, e esta por sinal está em alta, apenas com a recria/engorda, mesmo com elevados valores de reposição, em sistemas super intensivos em sistemas menos intensificados e assim por diante. A única grande convergência onde não há alternativa é que temos que ser extraordinários em produzir e colher pastagem.  Nunca podemos deixar de lembrar que pecuária de corte é a transformação de capim (e seus ajudantes) em carne. 

Retomando o ponto principal: "foco na solução", podemos simplificar que o  LUCRO POR HECTARE POR ANO conseqüência da interação de 4 fatores principais, onde seu produto, representa de forma direta o lucro de uma fazenda. Estes fatores são: Lotação x Ganho Médio Diário X Margem sobre a venda X Valor da @.

LOTAÇÃO: A lotação representa a carga animal mantida em uma unidade de área, podendo ser expressa em cabeças, unidades animal, ou peso vivo. Apesar da fragilidade deste indicador, que não leva em consideração a variação na disponibilidade de forragem existente, ele é largamente utilizado. Para utilização deste indicador, existe o pré-requisito que a lotação está equilibrada com a pressão de pastejo, que expressa quilos de forragem estão disponíveis para cada 100kg de peso vivo mantidos por unidade de área. 

O que se busca diretamente é que a fazenda possa apascentar a máxima quantidade de animais possíveis, desde que esteja ganhando peso, que é o nosso próximo indicador.

GMD: O ganho médio diário é a quantidade de kg que um animal ganha por dia.

MSV: A margem sobre a venda é o percentual de resultado, ou lucro, que a fazenda obtém em cada @ vendida. Neste caso se a MSV foi de 35%, significa que a fazenda teve 65% de desembolso sobre o faturamento obtido com uma @.  

VALOR DA @: O valor da @ é o total de reais recebido por uma @ na hora da venda.

Desta forma o lucro de uma fazenda, em sua maioria é: 

LOTAÇÃO (cab./ha) x GMD (kg/cab/dia) x 365 dias X MSV (%) x Rendimento de Carcaça (%) x VALOR DA @.

Devemos nos atentar que o agil ou deságil pagos na reposição interferem neste resultado.

De forma geral, toda decisão que tiver interferência nestes fatores deve acontecer de forma que o aumento de um não gere redução de outro numa proporção superior. Ou seja o aumento da lotação só é valido quando não cause redução no GMD. Medidas que aumentem o GMD não pode gerar um redução na MSV superior ao aumento no ganho obido.

Quando o processo produtivo é focado em interações positivas destes quatro fatores, a fazenda tem grandes chances de apresentar resultados que superem a tímida média de R$ 103/ha/ano, podendo chegar em valores maiores que R$ 450/ha/ano. 

A hora da verdade: Os 07 indicadores que “escancaram” os resultados da fazenda

Convivemos diariamente com as seguintes questões:  "estou indo bem? ou indo mal?, ou melhor,  aonde minha fazenda vai bem e aonde ela vai mal"? Quando apresentamos o grande volume de informações que devem ser monitoradas em uma fazenda para que a resposta seja a mais completa possível, vêm a réplica:  "mas....o que realmente importa"? Pensado numa resposta objetiva, didática  e sobretudo aplicável, elaboramos os sete indicadores que mostram de forma mais ampla e conclusiva o desempenho da empresa pecuária.

 1 - LOTAÇÃO e GANHO MÉDIO DIÁRIO: A lotação mede a carga animal que a fazenda manteve por unidade de área (ha ou Alq.) durante o ano. Deve ser avaliada em Cabeças e  UA's (450 kg de PV).  Sabemos projetos com lotação média inferior a 1,2 UA/ha/ano apresentam média/baixa ou baixa capacidade de geração de lucro. Por outro lado, de nada vale termos lotação se o ganho individual dos animais foi baixo. Como o propósito da exploração pecuária é a produção de peso vivo e consequentemente a carne, seja na cria ou na engorda, o foco no ganho diário é determinante. Entendemos que o ganho global dos animais deva superar 0,4kg/cab/dia. 

2 - TAXA DE DESMAME: É o mais importante indicador da cria. Representa o total de animais desmamados em relação às vacas expostas em reprodução dentro de determinado período. A taxa de desmame é um poderoso indicador do desempenho reprodutivo devido contemplar os índices de fertilidade, perda pré-parto e a mortalidade de bezerro. O valor mínimo para taxa de desmame ser considera média/boa é de a75%. Lembramos que o peso dos bezerros ao desmame complementa a análise

3 - TAXA DE DESFRUTE: A taxa de desfrute mede a capacidade que o rebanho teve para gerar excedente, ou seja, representa a produção (em @, kg, ou cabeças) que teve em um ano em relação ao rebanho inicial. Quanto maior a taxa de desfrute, maior a produção interna do rebanho. Em sistemas de recria/engorda o desfrute deve superar 50%, no ciclo completo 40%. 

4 - REFERENCIAMENTO DA EQUIPE: A resposta para a pergunta: Minha equipe é grande ou pequena, devo contratar ou demitir? Antes de responder, sempre perguntamos, se o serviço está em dia? Evidente que além desta resposta, outros indicadores auxiliam na análise. Dentre estes destacamos as relações cabeça/funcionário e funcionário hectare. Por outro lado, podemos dizer que os dois índices mais conclusivos são o percentual que a folha representa sobre o faturamento e o faturamento por funcionário/ano. Salário em relação a região, motivação e comprometimento devem completar a análise.

5 - PRODUÇÃO DE ARROBA/HA/ANO:  Mede a produção em kg de carcaça convertido em @ (15 kg de peso morto) por hectare de pasto. Tem íntima relação com o faturamento da empresa. É o indicador produtivo que mais merece atenção por sofrer influência da lotação do ganho diário, das taxas reprodutivas e mortalidade. A média brasileira não chega a 3@. Acreditamos que o alvo das empresas agropecuárias deva superar 10@/ha/ano.

6 - DESEMBOLSO POR CABEÇA POR MÊS: Produzir muito, gastando ainda mais não pode ser a combinação. Diante disto o monitoramento sistemático dos valores de desembolso por cabeça por mês deve ser efetuado. Este valor mede o total de dinheiro gasto na fazenda em relação ao rebanho médio. Sempre avaliados mês a mês com acúmulos trimestrais e anual. Lembramos que os valores de investimento na compra de gado não devem compor a soma das despesas, apenas os custeios somados aos investimentos produtivos. O desembolso/cabeça/mês deve ser inferior a R$ 40,00/cabeça/mês. Destes R$ 40,00 a maior parte deve ser investimentos e manutenção de pastagem, seguidos pelos insumos do rebanho e mão de obra. Não podemos deixar de destacar que quanto menor os índices do rebanho, menor poderá ser o desembolso. 

7 - LUCRO POR HECTARE POR ANO: É o mais importante de todos, afinal é o que sempre perseguimos. Infelizmente a definição que Lucro é uma fantasia contábil e que a matemática é mágica, faz com que muitos nem tentem calcular ou desistam na primeira dificuldade. De posse disto e focando na solução, a Terra Desenvolvimento, através de uma ampla conferência entre técnicos da produção, contabilidade e clientes elaborou o método chamado BPC (balanço produtivo de caixa). Este balanço mostra a capacidade que a fazenda teve para gerar recursos "extraíveis", ou seja, resultado de caixa que chamamos, neste momento, de lucro operacional.  

Fórmulas:
- Lotação  (UA's/Ha)= Rebanho Médio (UA) ÷ Área de Pastagem (ha)
- GMD (kg/cab/dia) = [peso final (kg) - peso inicial (kg)] ÷ período entre pesagens (dias)
- Referenciamento de Equipe: 
a) Folha sobre o faturamento: Valor folha de pagto (R$) ÷ Faturamento (R$) x 100
b) Faturamento por funcionário por ano: Total de Receita ÷ total de funcionários
- Taxa de desfrute Safra 2010/2011 = 
[Peso total do rebanho (@) em junho 2011  - Peso total do rebanho  (@) em julho 2010 - Peso total comprado (@) no período jul/10 a jun/11  + Peso total vendido (@) no período jul/10 a jun/11] ÷ Peso total do rebanho em julho 2010 (@) x 100
- Produção de @/ha/ano = 
[Peso total do rebanho (@) em junho 2011  - Peso total do rebanho  (@) em julho 2010 - Peso total comprado (@) no período jul/10 a jun/11  + Peso total vendido (@) no período jul/10 a jun/11] ÷  área de pastagem (ha)
- Desembolso/cabeça/mês = Total de desembolso/mês em R$ ÷ rebanho médio do mês (cabeças)
- Lucro/ha/ano = [Total Geral de receitas (R$)  - Total geral despesas (R$) + Variação do rebanho* (R$)] ÷ área de pasto (ha)
*aumento ou diminuição do rebanho 

Controle: Uma importante etapa da gestão

Gerenciamos apenas o que conhecemos, por isso as mensurações na fazenda caracterizam uma importante etapa na atividade pecuária moderna e lucrativa. 

Como já dizia o físico escocês Lord Kelvin no final do século XIX: "Quando você consegue medir sobre o que está falando e expressá-lo em números, você saberá mais sobre seu tema. Por outro lado, quando não consegue medir nem transformar em números seu conhecimento será pequeno e insatisfatório".

Antes de se iniciar o controle devemos argumentar: QUANDO E PARA QUÊ estamos fazendo isso? Esta indagação tem o propósito de nortear a verdadeira necessidade do que está sendo controlado. É muito comum nos depararmos com "muito papel" e pouca informação ou mesmo com muitas informações, porém dispostas de uma maneira confusa ou inacessível. 

Existem diversas técnicas de controle que podem auxiliar na obtenção desses dados. É importante saber em qual nível de detalhamento e sofisticação o empreendimento se encaixa.

Lembramos também que o sucesso do controle não é apenas a escolha de um bom software, e sim uma equipe de campo bem treinada para registrar as ocorrências. 

É muito grande o volume de informações que podem ser gerenciados numa atividade de corte. Sugerimos a fragmentação nas seguintes frentes:

1. Informações Reprodutivas. Controla-se a fertilidade, a perda pré parto, a taxa de desmame, a relação e peso desmame e o intervalo entre partos.

2. Informações Produtivas. Neste momento são mensuradas a mortalidade, taxa de lotação, consumo de minerais e suplementos, ganho de peso, produção de @ por hectare, altura média das pastagens e intervalo entre cortes, dentre outros.

3. Informações Climáticas. Chuva, temperatura e umidade do ar, são as principais.

4. Informações Financeiras. A avaliação dos custos e resultados compõe as etapas desta fase.

  • Custos: cabeça e UA/mês, @ produzida, bezerro desmamado, dentre outros.
  • Resultados: Margem sobre a venda, resultado gerencial (lucro) por hectare e por cabeça comercializada, rentabilidade sobre capital de trabalho e capital total, dentre outros.
  • Demais indicadores: Relação custeio x investimento, custo fixo x custo variável, perfil ABC nos desembolsos, dentre outros.

5. Informações de equipe: Salário em relação a região, tempo médio de contratação, rotatividade, qualidade de vida e moradia, motivação, número hectares e cabeças por funcionário, dentre outros.

Ao separar os dados nesses tópicos, torna-se muito mais fácil a definição dos objetivos e a determinação dos controles necessários ao gerenciamento da fazenda. Entretanto, dados aleatórios não podem ser considerados informações úteis para as tomadas de decisão, é necessário organizá-los. Para tanto propomos as etapas passo a passo.

a) Definição do que será medido. A partir deste momento define-se como, quando e por quem será feito. Inicia-se o processo de treinamento periódico.

b)
 Fechamento mensal. Todas as informações devem ser avaliadas no período máximo de um mês. Desta forma, caso ocorram dúvidas, as mesmas são mais simples de serem esclarecidas. 

c) Transformar o dado em ação. Apenas existe sentido no controle quando os dados são transformados em informações, estas por sua vez em conclusões e por fim em ações que possam melhorar o desempenho da atividade.Caso este ciclo não se conclua, todo resto será perdido.

Entendemos que o estabelecimento de um amplo programa de controle deve ser instituído para acompanhar o planejamento estabelecido, verificar os resultados da fazenda em relação a média obtida no setor e, sobretudo, inserir a fazenda num sólido processo de gestão. 

A operacionalização das atividades sugeridas é mais complexa que sua apresentação num artigo. Por outro lado, sabemos que, através do trabalho, a distância entre aquilo que acontece hoje e aquilo que objetivamos, seja apenas determinada por um breve período de tempo. Mas ainda é fundamental seguir a premissa de que, como diria Kelvin, controlamos e gerenciamos apenas aquilo que conhecemos.