25/05/2026

Gestão de Pessoas na Pecuária

Gustavo Haruo, Analista de Resultado Inttegra

Em um cenário onde a mão de obra se tornou um dos principais gargalos da atividade pecuária, atrair e reter bons profissionais passou a ser um dos grandes desafios das fazendas. Hoje, não basta apenas ter estrutura física ou tecnologia. Fazendas de alta performance dependem diretamente da qualidade das pessoas envolvidas na operação. E, naturalmente, a remuneração faz parte desse processo. Funcionário bom precisa ser valorizado.

Ao analisarmos as fazendas top rentáveis do Benchmarking Inttegra safra 24/25, percebemos que existe uma preocupação cada vez maior em profissionalizar a gestão de pessoas dentro da fazenda. Isso inclui salários mais competitivos, planos de bonificação e maior clareza sobre metas e resultados.

Média Salarial por Cargo

Confira a média salarial por cargo nas fazendas top rentáveis analisadas:

  • Campeiro: R$ 2.596,00
  • Capataz: R$ 3.345,00
  • Cerqueiro: R$ 3.028,00
  • Gerente geral: R$ 12.477,00
  • Operador (esteira/pá/retro): R$ 3.507,00
  • Serviços gerais: R$ 2.502,00
  • Tratorista: R$ 2.712,00
  • Zootecnista/Agrônomo/Veterinário: R$ 6.176,00

Os números mostram uma diferença importante entre cargos operacionais, técnicos e de gestão, refletindo também o nível de responsabilidade e tomada de decisão dentro da fazenda. Em especial, chama atenção o papel cada vez mais estratégico dos gerentes e técnicos dentro das operações mais rentáveis.

Remuneração Variável e Incentivos

Além do salário fixo, muitas fazendas também vêm adotando programas de remuneração variável vinculados aos resultados da operação. Dependendo do modelo utilizado, essa bonificação pode representar um décimo quarto salário ou até mais. Isso cria um alinhamento maior entre os objetivos da fazenda e o desempenho da equipe, incentivando produtividade e comprometimento.

Em uma fazenda de cria, por exemplo, é possível atrelar a bonificação a indicadores como fertilidade geral, perda da prenhez ao desmame e peso ao desmame. Cada indicador pode ter um peso diferente conforme a prioridade da operação. Já em sistemas de recria e engorda, metas relacionadas a ganho médio diário, lotação ou taxa de desfrute também podem ser utilizadas.

Eficiência da Mão de Obra

Outro ponto importante é que não basta apenas olhar para o valor gasto com salários. É fundamental avaliar a eficiência da mão de obra dentro da fazenda. Muitas vezes, uma operação que aparentemente “gasta mais” com equipe consegue entregar um resultado muito superior em produtividade e faturamento.

Dentro do Benchmarking Inttegra, alguns indicadores ajudam a medir essa eficiência:

  • Desembolso em mão de obra permanente (R$/cab/mês): representa uma das maiores parcelas do custo fixo da fazenda. As top rentáveis desembolsam, em média, R$ 15,44/cab/mês.
  • Relação cabeça/homem no campo: as fazendas mais eficientes trabalham com uma média de 1 colaborador para 711 animais.
  • Faturamento por funcionário: nas fazendas top rentáveis, o faturamento médio por colaborador chega a R$ 694.379,00.

Retenção Além do Salário

Você já ouviu aquela história de um funcionário que saiu de uma fazenda para outra por causa de R$ 100,00 de diferença no salário? Isso acontece com frequência dentro da pecuária. Mas, na prática, a decisão raramente envolve apenas a remuneração. Ambiente de trabalho, qualidade do alojamento, conforto para a família, oportunidade de crescimento, reconhecimento e cultura da fazenda também pesam.

As fazendas mais rentáveis normalmente entendem isso com clareza. Não enxergam mão de obra apenas como custo, mas como investimento estratégico. Porque no fim do dia, são as pessoas que executam o manejo, tomam decisões e sustentam a produtividade da operação. E construir uma equipe forte, alinhada e capacitada tem impacto direto na eficiência e na rentabilidade da fazenda.

Compartilhar

Está gostando do conteúdo?
Compartilhe clicando abaixo:

Sobre a Inttegra

A Inttegra surgiu da experiência prática de Antonio Chaker, que em 1997 percebeu que apenas anotar números não transformava fazendas. Entre 2002 e 2015, ele desenvolveu um método que une números, estratégia e pessoas. Em 2015, o Instituto foi oficializado com o objetivo de aplicar essa gestão integrada para gerar resultados sustentáveis e consistentes no agronegócio.

Onde Estamos?

Avenida Mandacaru, 2150 – Sala 8 – Parque das Laranjeiras CEP 87083-240 — Maringá, Paraná