11/06/2026

Pecuarista e agricultor: por que a gestão evoluiu de forma diferente?

Gustavo Haruo, Analista de Resultado Inttegra

É comum ouvir que o agricultor é mais profissionalizado, mais tecnológico e mais orientado por indicadores do que o pecuarista. Essa diferença está diretamente relacionada à história de cada atividade.

A pecuária como reserva de valor

Durante grande parte da história recente do Brasil, a pecuária de corte foi uma atividade que funcionava como “reserva de valor”. Em muitas regiões, comprar uma fazenda, colocar gado e esperar alguns anos era suficiente para gerar um excelente retorno sobre o patrimônio.

Além disso, as margens da atividade eram relativamente confortáveis. Havia espaço para ineficiências produtivas, desperdícios e decisões pouco embasadas sem que isso necessariamente comprometesse a sobrevivência do negócio. Quem nunca ouviu os mais antigos contando que terminavam boi com 5-6 anos, hoje o que é inviável na época era sim muito lucrativo.

Em outras palavras, muitos sistemas de produção eram lucrativos apesar da gestão, e não por causa dela.

Nesse ambiente, o foco do pecuarista naturalmente se concentrou em aspectos operacionais: manejo do rebanho, genética, pastagens e expansão da área. O controle detalhado dos números raramente era uma questão de sobrevivência.

O caminho de alto risco da agricultura

A agricultura percorreu um caminho diferente.

Historicamente, o agricultor sempre conviveu com riscos elevados. O ciclo produtivo é curto, os investimentos são altos, o clima pode comprometer uma safra inteira e os preços das commodities variam constantemente. Em um negócio assim, não conhecer os custos de produção ou não acompanhar indicadores econômicos frequentemente significava prejuízo imediato.

Por isso, a agricultura foi forçada a desenvolver ferramentas de gestão mais cedo. Controle de custos, orçamento, planejamento financeiro, análise de rentabilidade por talhão e tomada de decisão baseada em números deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos mínimos para permanecer na atividade.

Quem não acompanhava os indicadores simplesmente perdia competitividade e, muitas vezes, acabava saindo do setor.

O novo cenário da pecuária nacional

Nos últimos anos, porém, a realidade da pecuária começou a mudar.

Com a terra cada vez mais cara, a monetização desse ativo ficou cada vez mais complexa. Os custos de produção aumentaram. A competição pelo uso da terra se intensificou com o avanço da agricultura. Além disso, o acesso à informação tornou mais evidente a diferença de desempenho entre fazendas.

Hoje, duas propriedades com tamanho semelhante, na mesma região e enfrentando as mesmas condições de mercado podem apresentar resultados econômicos completamente diferentes.

  • A diferença raramente está apenas na genética ou na pastagem.
  • Cada vez mais, ela está na gestão.

Os pecuaristas mais rentáveis deixaram de olhar apenas para os aspectos operacionais e passaram a administrar a fazenda como uma empresa. Conhecem seus indicadores, acompanham margens, planejam investimentos, analisam riscos e tomam decisões baseadas em dados.

A principal diferença entre agricultores e pecuaristas talvez não esteja na capacidade de gestão, mas no momento histórico em que cada atividade foi obrigada a desenvolvê-la.

O agricultor aprendeu essa lição décadas atrás. Agora chegou a vez da pecuária.

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Sobre a Inttegra

A Inttegra surgiu da experiência prática de Antonio Chaker, que em 1997 percebeu que apenas anotar números não transformava fazendas. Entre 2002 e 2015, ele desenvolveu um método que une números, estratégia e pessoas. Em 2015, o Instituto foi oficializado com o objetivo de aplicar essa gestão integrada para gerar resultados sustentáveis e consistentes no agronegócio.

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