Maria Fernanda, Analista de Operações e Produção Inttegra
Por muito tempo, a cria foi vista por muitos pecuaristas como uma atividade de lucro limitado por hectare. Na Fazenda Tijuco, essa percepção começou a mudar quando a equipe passou a enxergar a atividade não apenas como a origem dos animais destinados à recria e à engorda, mas como parte estratégica do resultado da fazenda.
Com o protocolo Super Cria Regenerativa, a Fazenda Tijuco aprimorou os processos de trabalho para produzir mais bezerros e ampliar o papel da cria no negócio. A proposta vai além de aumentar o número de animais por área: envolve estruturar o manejo das pastagens, estabelecer processos claros, acompanhar indicadores e criar condições para que o rebanho e as pessoas trabalhem melhor dentro do sistema.
O pasto como estratégia de produção
Na Fazenda Tijuco, que atua em ciclo completo, o manejo das pastagens passou a ocupar um lugar central no planejamento da cria. O pastejo em faixa permite organizar a oferta de forragem e conduzir os animais conforme o planejamento da fazenda para cada época do ano. Isso é possível pois o dimensionamento das faixas considera a capacidade de suporte da área, buscando garantir que os animais comam apenas “ponta de folha”, favorecendo o aproveitamento da forragem e o desempenho no pastejo.
Mauro Lúcio, que acompanha de perto a evolução do sistema, relata que a melhora na qualidade do pasto e no manejo esteve associada a mudanças no desempenho do rebanho. Um exemplo foi o desmame de bezerros mais pesados em comparação com anos anteriores, mesmo sem o suplemento que era oferecido anteriormente nessa fase.

No último ano de implantação do projeto, uma área de baixa produtividade forrageira, que antes seria destinada à reforma pelo modelo de manejo adotado na fazenda, registrou aumento de 120% no número de matrizes por hectare. O protocolo também prevê a correção do solo com calcário para elevar a saturação por bases e favorecer a incorporação de matéria orgânica, por meio da ação dos besouros rola-bosta e da melhor distribuição das placas de fezes na pastagem. Esse resultado reforça a importância de avaliar o desempenho animal dentro do sistema de produção: embora a suplementação tenha seu papel, o manejo do solo e da forragem também influencia os resultados.
Mais bezerros com uma estação de monta mais curta

A mudança também se reflete nos resultados reprodutivos. Nas últimas três safras, a fazenda aumentou em quase 60% a quantidade de bezerros produzidos com o mesmo número de vacas. No último fechamento, a mortalidade foi de 0,8% dos bezerros nascidos ao longo do projeto. A estação de monta, que antes durava cerca de 140 dias, foi reduzida para 95 dias, com meta de chegar a 90 dias.
Esses avanços fazem parte de uma estratégia maior: ampliar a produção própria, reduzir a necessidade de comprar animais para as etapas seguintes e aumentar o rebanho de cria e a área dedicada à atividade. A meta da fazenda é produzir um bezerro por vaca ao ano.
Processos claros preparam as pessoas
Os resultados dependem não apenas do manejo animal, mas também da organização do trabalho. A implantação trouxe o desafio de trabalhar com colaboradores que ainda não tinham experiência com pecuária, reforçando a importância de uma metodologia clara para orientar as atividades e preparar a equipe para a expansão do sistema.

Com processos bem definidos, cada pessoa entende melhor suas responsabilidades e os resultados que precisa buscar, mantendo a equipe alinhada ao mesmo propósito. Assim, a organização da rotina chegou a permitir que um único responsável conduzisse o manejo com qualidade e aprendesse em um curto período de tempo: “Ele chegou a ter a quase 700 cabeças só na mão dele, ele sozinho, trocando as faixas e manejando o lote”, diz Mauro a respeito do pastor responsável pelo projeto na fazenda.
Uma nova perspectiva para a Cria

A Fazenda Tijuco pretende ampliar a participação da cria no negócio, reduzir a dependência da compra de animais e acompanhar essa evolução por indicadores produtivos e econômicos. A experiência reforça que o desempenho da cria depende da integração entre pastagem, reprodução, manejo, processos e pessoas. Para Mauro, essa transformação deve beneficiar não apenas o negócio, mas também quem faz o trabalho acontecer: “eu quero transformar a pecuária para que ela transforme a vida das pessoas”.
O Protocolo Super Cria Regenerativa propõe uma cria mais produtiva e rentável, respeitando as condições de cada fazenda e o ecossistema da pastagem de maneira sustentável. Quer descobrir como aplicar essa estratégia na sua propriedade? Converse com a equipe Inttegra e conheça mais sobre o protocolo.