Gustavo Haruo, Consultor Inttegra
Produzir mais é um objetivo comum na pecuária de corte. Produzir muito, porém, não é suficiente. O verdadeiro desafio está em transformar produtividade em resultado econômico, garantindo que cada arroba produzida contribua para a margem do negócio.
É justamente nesse ponto que a Fazenda Vale da Mata se destaca. Localizada no Noroeste do Paraná, na região do arenito Caiuá, a propriedade comandada por Roberto Patussi construiu um sistema de recria e engorda intensiva capaz de combinar elevada produção por hectare com eficiência operacional e foco nos resultados financeiros.
O resultado é expressivo: 61 arrobas produzidas por hectare, sustentadas por indicadores produtivos consistentes e, principalmente, por uma gestão que acompanha de perto os custos e o retorno de cada decisão tomada dentro da fazenda.

Produtividade construída sobre indicadores
A fazenda trabalha com aproximadamente 5 cabeças por hectare, ganho médio diário próximo de 1 kg e giro de aproximadamente 365 dias. A taxa de mortalidade é de apenas 0,4%, um indicador relevante em sistemas intensivos, onde perdas impactam diretamente o resultado econômico.
Esses números não são consequência de uma única tecnologia. São resultado do acompanhamento constante dos indicadores produtivos e financeiros.
A parceria com a Inttegra reforça essa lógica de gestão baseada em dados. A propriedade utiliza métricas para avaliar o desempenho do sistema e orientar as decisões, buscando entender não apenas quanto produz, mas principalmente a que custo produz e qual retorno essa produção gera.
Nutrição para dar previsibilidade ao sistema
Um dos pilares da Vale da Mata é a estratégia nutricional. O sistema combina o uso da pastagem com suplementação intensiva no cocho, entre 1% do P.V.
Essa estratégia reduz a dependência exclusiva da qualidade da forragem e das variações sazonais, contribuindo para manter ganhos de peso mais constantes ao longo do ano. Com maior previsibilidade de desempenho, a fazenda consegue planejar melhor o giro dos animais, a ocupação da área e suas estratégias comerciais.
Pessoas como parte da estratégia
A eficiência da fazenda também passa pela gestão da equipe. Roberto Patussi resume essa visão em uma frase: “Não existe equipe fraca, existem líderes fracos.”
A propriedade busca valorizar seus colaboradores com salários acima da média, moradias equipadas e uma gestão baseada em transparência e reuniões semanais. A equipe também participa da melhoria dos processos, com valorização de ideias que geram ganhos para a operação.
Em uma atividade intensiva, a qualidade da execução é decisiva. Nutrição, sanidade, manejo e controle de desempenho dependem das pessoas responsáveis pela operação. Por isso, desenvolver e engajar a equipe é também uma forma de reduzir perdas e aumentar a eficiência.
Infraestrutura com foco no retorno
A Vale da Mata trabalha em um sistema de pastejo contínuo. A infraestrutura inclui cochos cobertos, protegendo o suplemento e reduzindo a interferência das condições climáticas sobre o fornecimento e o consumo.
Para Patussi, investimentos em infraestrutura devem ser avaliados pelo retorno que proporcionam. Uma cobertura de cocho, uma balança ou qualquer melhoria operacional precisa gerar benefícios mensuráveis, seja pela redução de perdas, maior precisão nas decisões ou aumento da eficiência.
Essa é uma diferença importante na gestão profissional: o foco não está apenas em quanto custa investir, mas em quanto esse investimento devolve ao negócio.
Produtividade só faz sentido quando chega à margem
A principal lição da Fazenda Vale da Mata está na integração entre produção e resultado econômico. Alcançar 61 arrobas por hectare é um indicador de destaque, mas isoladamente não garante rentabilidade. É possível produzir muito e comprometer o resultado com custos excessivos.
Por isso, as decisões precisam partir da relação entre investimento, custo de produção e retorno. A pergunta não é apenas quanto a fazenda consegue produzir, mas quanto custa cada unidade produzida e qual margem permanece ao final do processo.
Em uma operação de recria e engorda, porém, o resultado não depende apenas de produzir uma arroba barata dentro da fazenda. A gestão comercial também tem papel decisivo: é preciso comprar bem os animais de reposição e vender bem o produto final. E esse foi outro ponto em que a Vale da Mata se destacou, trabalhando com ágio de 22% em suas operações.
Esse resultado reforça uma visão importante da pecuária como negócio. A margem é construída em diferentes etapas: começa na eficiência produtiva e no controle do custo da arroba, mas também depende da capacidade de capturar oportunidades na compra e na venda dos animais. Produzir com eficiência e comercializar bem são partes do mesmo resultado.
No caso da Vale da Mata, essa eficiência também aparece no custo de produção. O custeio por arroba foi de R$ 170,95, um número que, aliado à produtividade e à gestão comercial, contribuiu para garantir uma margem sobre venda próxima de 50%. Esse indicador evidencia que o resultado não veio apenas de produzir mais, mas da capacidade de controlar o custo da produção e preservar margem ao longo de toda a operação.
O resultado da Vale da Mata mostra que alta produtividade é consequência de um sistema bem executado, mas também de uma visão clara de negócio. Lotação, ganho de peso, nutrição, equipe e infraestrutura precisam trabalhar na mesma direção.
Na pecuária profissional, produzir mais é importante. Produzir mais com margem é o que transforma eficiência produtiva em resultado econômico.