Denes Alves, Analista de Resultados Inttegra
Quando o assunto é produtividade na pecuária, a quantidade de arrobas produzidas por hectare é um dos indicadores mais acompanhados. No entanto, produzir mais não significa seguir uma única receita. O número reflete a eficiência da fazenda em transformar área em produção animal, mas sua interpretação exige contexto, pois propriedades diferentes possuem dinâmicas distintas.
No Benchmarking Inttegra da safra 2024/2025, selecionamos três propriedades que chegaram ao Top 01 em produção global de arrobas por hectare, cada uma representando uma realidade produtiva diferente:
1. Confinamento e intensidade produtiva (Formosa, GO)
- Produção alcançada: 316 arrobas por hectare.
- A estratégia: Um sistema de recria e engorda altamente intensificado. O ganho de peso ocorre principalmente pela dieta de cocho, com alta concentração de animais e menor tempo de terminação.
- Os desafios: Exige controle rigoroso de insumos, sanidade e conversão alimentar. A margem para erros é mínima, sendo crucial converter o alto investimento em resultado econômico real.
2. A TIP como ferramenta de intensificação (Rondonópolis, MT)
- Produção alcançada: 91 arrobas por hectare.
- A estratégia: Terminação Intensiva a Pasto (TIP). A forragem continua participando da dieta, mas o suplemento ganha protagonismo no ganho de peso e no acabamento.
- Os desafios: Requer planejamento, pasto de qualidade, cochos bem dimensionados e equilíbrio rigoroso na lotação, garantindo que o custo da arroba não dispare pela falta de forragem.
3. Na cria, a produção começa antes da desmama (Luziânia, GO)
- Produção alcançada: 28 arrobas por hectare.
- A estratégia: Fazenda de cria conduzida a pasto com suplementação mineral e proteica. A lógica aqui muda para a reprodução, sobrevivência do bezerro e peso alcançado à desmama.
- Os desafios: Manter vacas que efetivamente emprenhem e desmamem bezerros pesados. Cada etapa do ciclo produtivo, da condição corporal das matrizes à estação de monta, deixa sua marca no resultado final.
O número sozinho não conta toda a história
Embora o destaque produtivo dessas fazendas seja inegável, comparar diretamente as 316 arrobas de um confinamento com as 28 de uma fazenda de cria não faria sentido, pois são ciclos e estruturas completamente diferentes.
Além disso, a produção por área não deve ser o único critério para avaliar a qualidade da gestão. É essencial observar indicadores econômicos, como desembolso por arroba produzida, margem sobre a venda e retorno sobre o capital. Uma leitura conjunta, que é o principal valor do benchmarking, permite entender se a alta produção também gerou lucro.
O que aprendemos com esses resultados?
Não se trata de uma disputa entre confinamento, TIP ou cria, mas de referências do que é possível alcançar dentro de cada realidade.
O ponto em comum entre os três destaques é muito claro: resultados desse nível não acontecem por acaso. Eles exigem planejamento, equipe preparada e capacidade de ajustar a rota. Mais importante do que copiar o sistema de outra propriedade é compreender os próprios gargalos e utilizar os indicadores certos para tomar as melhores decisões.